MANEJO DA TUBERCULOSE DROGARRESISTENTE (TB-DR)

A transição para esquemas totalmente orais e o papel dos novos fármacos

Autores

  • Jorge Luiz da Rocha Médico Pneumologista e Tisiologista

DOI:

https://doi.org/10.63483/rp.v34i2.326

Palavras-chave:

Tuberculose resistente a múltiplos medicamentos, Bedaquilina, Pretomanida, Linezolida, Esquemas de tratamento

Resumo

A tuberculose drogarresistente (TB-DR) constitui importante ameaça à saúde pública global, caracterizada por elevada carga de casos não diagnosticados e não tratados adequadamente. Em 2024, a OMS estimou 390.000 casos novos de resistência à rifampicina, porém apenas 44% foram diagnosticados e 42% iniciaram tratamento, favorecendo a transmissão de cepas resistentes. No Brasil, embora não esteja entre os países de maior carga para TB-DR, observam-se sinais de alerta, como altas taxas de interrupção de tratamento para tuberculose sensível, o subdiagnóstico e reduzido sucesso terapêutico para TB-DR, além de predomínio de resistência primária. Determinantes sociais influenciam fortemente a ocorrência da TB-DR, com impacto econômico significativo nas famílias afetadas.

A resistência pode ser classificada como natural, adquirida ou primária, resultando de mutações genéticas, pressão seletiva por manejo inadequado e transmissão de bacilos resistentes. Mecanismos adicionais, como efluxo de drogas e alterações de alvo, contribuem para multirresistência intrínseca. A TB-DR é categorizada em monorresistente, polirresistente, TB-RR, TB-MDR, pré-XDR e XDR, com crescente complexidade terapêutica.

O tratamento da tuberculose requer esquemas com alta atividade bactericida e esterilizante, sendo a rifampicina o principal fármaco de primeira linha. A resistência a este medicamento implica uso de regimes mais longos, mais caros, potencialmente mais tóxicos e de menor eficácia. Avanços recentes incluem esquemas totalmente orais e de curta duração, como o BPaL (bedaquilina, pretomanida e linezolida), recomendado no Brasil desde dezembro de 2024.

A organização da rede assistencial no Brasil prevê manejo conforme a complexidade, com encaminhamento de pessoas com TB-DR a centros especializados. O enfrentamento da TB-DR depende de diagnóstico oportuno, adesão ao tratamento e estratégias intersetoriais voltadas à mitigação de vulnerabilidades sociais.

Biografia do Autor

Jorge Luiz da Rocha, Médico Pneumologista e Tisiologista

Médico Pneumologista e Tisiologista

Mestre em Medicina pela UFRJ

Doutorando em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz

Centro de Referência Professor Hélio Fraga/ENSP/Fiocruz

Hospital Estadual Santa Maria/SES RJ

Membro da RedeTB

Membro do Comitê Técnico-Assessor para tuberculose do Ministério da Saúde

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Publicado

2026-07-01

Como Citar

da Rocha, J. L. (2026). MANEJO DA TUBERCULOSE DROGARRESISTENTE (TB-DR): A transição para esquemas totalmente orais e o papel dos novos fármacos. Revista Pulmão, 34(2), 1–14. https://doi.org/10.63483/rp.v34i2.326

Edição

Seção

Artigos