A EMERGÊNCIA DAS MICOBACTERIOSES NÃO-TUBERCULOSAS (MNT)
panorama epidemiológico, fatores de risco e critérios diagnósticos
DOI:
https://doi.org/10.63483/rp.v34i2.318Palavras-chave:
micobactérias não-tuberculosas, epidemiologia, diagnóstico, pneumologia, infecção pulmonarResumo
As Micobacterioses Não-Tuberculosas (MNT) constituem um grupo heterogêneo de infecções causadas por micobactérias ambientais, cuja relevância clínica tem aumentado de forma significativa nas últimas décadas. Este capítulo tem como objetivo apresentar uma análise abrangente acerca do panorama epidemiológico, dos fatores de risco e dos critérios diagnósticos associados às MNT, com ênfase nas manifestações pulmonares. Observa-se crescimento global da incidência, particularmente em países de média e alta renda, fenômeno relacionado ao envelhecimento populacional, ao aumento das doenças pulmonares crônicas e à ampliação do uso de terapias imunossupressoras. As MNT são adquiridas predominantemente por exposição ambiental, não havendo, em geral, transmissão interpessoal sustentada. Entre os principais fatores de risco, destacam-se imunossupressão, bronquiectasias, doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose pulmonar e histórico prévio de tuberculose. O diagnóstico permanece desafiador, exigindo integração de critérios clínicos, radiológicos e microbiológicos, conforme diretrizes internacionais. Ressalta-se a necessidade de diferenciação entre colonização e doença ativa, a fim de evitar intervenções terapêuticas desnecessárias. A identificação da espécie é fundamental para definição do tratamento, que é prolongado e frequentemente associado a efeitos adversos. Conclui-se que as MNT configuram importante problema emergente em saúde pública, demandando maior vigilância epidemiológica e capacitação profissional.