ATUALIZAÇÃO NO TRATAMENTO DA TUBERCULOSE SENSÍVEL
evidências e aplicabilidade dos novos esquemas terapêuticos encurtados
DOI:
https://doi.org/10.63483/rp.v34i2.315Palavras-chave:
Tuberculose, tuberculose pediátrica, Tratamento encurtado, RifapentinaResumo
A tuberculose permanece como uma das principais causas de morte por agente infeccioso no mundo, afetando mais de 10 milhões de pessoas anualmente. Embora prevenível e curável, o tratamento padrão de seis meses para tuberculose sensível representa um desafio à adesão e pode levar a desfechos desfavoráveis, incluindo o desenvolvimento de resistência. Nesse contexto, a composição de esquemas terapêuticos encurtados é um objetivo histórico no manejo da tuberculose. Ensaios clínicos publicados recentemente demonstraram resultados favoráveis em esquemas de quatro meses de duração, abrindo caminho para sua incorporação nas diretrizes internacionais Para adultos e adolescentes acima de 12 anos, o esquema de quatro meses com rifapentina, isoniazida, pirazinamida e moxifloxacino (2HPZM/2HPM) demonstrou não inferioridade ao tratamento padrão no Estudo 31, sendo recomendado pela OMS para casos de tuberculose pulmonar confirmada microbiologicamente e com sensibilidade aos fármacos do esquema. Para crianças e adolescentes entre 3 meses e 16 anos com formas não graves de tuberculose, o estudo SHINE demonstrou que o esquema de quatro meses (2RHZ(E)/2RH) é não inferior ao padrão de seis meses, com menor custo e boa adesão, tendo sido incorporado pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2024. Apesar dos avanços, a implementação enfrenta barreiras como disponibilidade limitada da rifapentina, ausência de doses fixas combinadas completas e necessidade de infraestrutura diagnóstica adequada. No Brasil, o esquema encurtado para adultos ainda não está disponível no SUS, permanecendo o esquema básico de seis meses como padrão universal para TB-S.