A EVOLUÇÃO DOS MÉTODOS DIAGNÓSTICOS EM MICOBACTERIOLOGIA
da baciloscopia tradicional ao impacto dos testes rápidos moleculares e do sequenciamento genético na decisão clínica
DOI:
https://doi.org/10.63483/rp.v34i2.313Palavras-chave:
Tuberculose, Técnicas e procedimentos diagnósticos, Técnicas de diagnóstico molecularResumo
A tuberculose (TB) acompanha a humanidade desde a Antiguidade e, ao longo de mais de 150 anos, o diagnóstico evoluiu de critérios puramente clínicos para métodos microbiológicos, radiológicos e moleculares cada vez mais sofisticados. A baciloscopia, introduzida no século XIX, permanece amplamente utilizada em países de alta carga pela simplicidade e baixo custo, embora apresente sensibilidade limitada e incapacidade de distinguir micobactérias ou detectar resistência. A cultura, ainda considerada padrão ouro por demonstrar viabilidade bacilar e permitir testes de sensibilidade, sofreu importantes avanços com meios líquidos automatizados e testes imunocromatográficos para identificação rápida de espécies, mas continua subutilizada no SUS. A revolução recente decorre dos métodos moleculares, em especial o Xpert MTB/RIF Ultra e outras plataformas automatizadas ou de baixa complexidade (Truenat, TB LAMP, LPA), que oferecem diagnóstico mais rápido, sensível e com detecção de resistência à rifampicina e outros fármacos. Novas abordagens, como testes de detecção de antígeno (LF LAM) e o sequenciamento de nova geração (tNGS, WGS), ampliam a capacidade diagnóstica e de vigilância, embora ainda restritas por custos e necessidade de infraestrutura especializada. Inovações “quase” point of care, como o MiniDock MTB e o uso de swab de língua, apontam para maior capilarização dos testes em contextos de poucos recursos. Apesar desse arsenal tecnológico, o controle da TB continua limitado por determinantes sociais e pela dificuldade de acesso a diagnósticos de qualidade em cenários de alta carga.