DESAFIOS NO TRATAMENTO DO MYCOBACTERIUM ABSCESSUS
abordagem da resistência macrolídea intrínseca e opções de resgate terapêutico
DOI:
https://doi.org/10.63483/rp.v34i2.320Palavras-chave:
Mycobacterium abscessus, resistência a medicamentos, macrolídeos, mutação, antibacterianosResumo
O complexo Mycobacterium abscessus é o grupo mais patogênico entre as micobactérias não tuberculosas de crescimento rápido, sendo responsável por infecções pulmonares e extrapulmonares associadas a importantes desafios terapêuticos. A doença pulmonar é a manifestação mais comum, ocorrendo principalmente em indivíduos com doenças pulmonares estruturais e caracteriza-se por curso crônico e progressivo. Um dos principais determinantes dos desfechos terapêuticos é a suscetibilidade aos macrolídeos, fortemente influenciada pela presença do gene erm(41), responsável por resistência induzível nas subespécies abscessus e bolletii, enquanto massiliense geralmente permanece suscetível. Além disso, a resistência adquirida por mutações no gene rrl agrava ainda mais o manejo clínico. As recomendações atuais enfatizam o uso de testes de sensibilidade para orientar o tratamento, embora a correlação entre resultados in vitro e resposta clínica seja bem estabelecida principalmente para macrolídeos e amicacina. Na presença de resistência aos macrolídeos, o tratamento torna-se ainda mais desafiador, não havendo esquema padronizado ou consistentemente eficaz. Fármacos alternativos como linezolida, clofazimina, bedaquilina, rifabutina, derivados da tetraciclina e β-lactâmicos apresentam atividade variável, geralmente sustentada por evidências clínicas limitadas. Novos compostos e estratégias terapêuticas estão em desenvolvimento, mas ainda permanecem em fases experimentais.