EDITORIAL
DOI:
https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.310Palavras-chave:
EditorialResumo
A palavra asma deriva do grego antigo e significa “respiração difícil ou ofegante”. O termo é utilizado desde a antiguidade por Hipócrates e se referia a qualquer condição que levasse aos sintomas de falta de ar. No decorrer da história o termo passou a se referir a doença que conhecemos hoje. Durante o século XIX os sintomas de asma começaram a ser reconhecidos e melhor descritos. Em 1849 ocorreu a invenção do primeiro nebulizador e em 1870 Ernest Leyden observou cristais no escarro de pacientes asmáticos descritos à época como cristais de Charcot Leyden e que hoje sabemos se tratar de cristais derivados de degradação de eosinófilos. O século XX foi de grande importância, pois surgiram as medicações inalatórias contendo broncodilatadores e corticóides inalatórios. Estas foram fundamentais para o melhor controle da doença e redução da mortalidade. Mas foi apenas nos anos noventa e início do século XXI que a asma foi reconhecidamente caracterizada como uma doença inflamatória. A identificação de diferentes tipos de inflamação e dos principais atores da imunidade inata e adaptativa ajudaram a identificar a partir dos biomarcadores o perfil inflamatório de cada um dos nossos pacientes e abriram espaço para o surgimento das novas terapias imunobiológicas.
Asma, por si só, já é um grande desafio, pois requer treinamento, saber lidar com baixa adesão ao uso das medicações pelos pacientes além do uso incorreto da técnica inalatória que impactam no controle da doença.
Mas quando falamos em asma grave o desafio é ainda maior. Esse perfil de paciente requer uma dedicação de todos nós profissionais de saúde com uma atenção multidisciplinar e o reconhecimento de uma série de aspectos que devem ser abordados durante o acompanhamento.
Esta edição especial da Pulmão RJ se dedica a revisitar todos esses aspectos importantes no decorrer de quinze capítulos cuidadosamente confeccionados por autores que militam em asma grave.
Aproveito para agradecer o convite feito pelo Professor Carlos Henrique Boasquevisque para participar como editor convidado dessa edição especial da Pulmão RJ. Agradeço ainda a todos os colegas que dedicaram seu precioso tempo na confecção dos artigos. Neste momento de transição parabenizo o professor Carlos Leonardo Pessoa pela gestão que acaba de findar e desejo muita sorte ao professor Thiago Mafort - nosso recém empossado presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio de Janeiro.