Obesidade e Asma - um capítulo à parte

Autores

  • Renato Azambuja

DOI:

https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.308

Palavras-chave:

Obesidade, Agonistas do receptor de GLP-1, Inflamação T2, Adipocinas, Função pulmonar, Intervenções para perda de peso

Resumo

Asma e obesidade são duas condições crônicas inflamatórias altamente prevalentes que frequentemente coexistem, com indivíduos obesos apresentando incidência significativamente maior de asma comparada aos eutróficos. Essa associação é bidirecional e demonstra dimorfismo sexual, com mulheres obesas apresentando maiores taxas de asma que homens obesos. A fisiopatologia envolve múltiplos mecanismos sobrepostos, incluindo inflamação sistêmica crônica de baixo grau mediada por adipocinas e citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF-α, leptina), vias inflamatórias T2 mediadas e fatores mecânicos relacionados à redução da capacidade residual funcional. Asmáticos obesos apresentam manifestações clínicas mais graves, incluindo menor função pulmonar basal, taxas aumentadas de exacerbações (50% maior que pacientes eutróficos), maiores taxas de hospitalização (2 a 4 vezes maior) e maior suscetibilidade a infecções respiratórias. Adicionalmente, exibem resposta reduzida aos tratamentos padrão da asma, incluindo beta-agonistas de curta duração, corticoides inalados e possivelmente terapias biológicas. O manejo desses pacientes requer abordagem multifatorial englobando perda ponderal (redução de apenas 5% melhora o controle da asma), atividade física aeróbica com efeitos anti-inflamatórios independentes da perda de peso, intervenções dietéticas ricas em frutas e vegetais, e opções farmacológicas. Notavelmente, os agonistas do receptor de GLP-1 emergiram como agentes terapêuticos promissores, demonstrando benefícios no controle da asma e redução de peso em pacientes asmáticos obesos diabéticos e não diabéticos, através de mecanismos que podem se estender além da perda de peso isoladamente. A cirurgia bariátrica representa uma opção para pacientes que falham em intervenções de estilo de vida e medicamentosas, mostrando redução significativa de exacerbações de asma. Essas abordagens terapêuticas emergentes oferecem novas perspectivas para melhor controle clínico nessa população de pacientes desafiadora.

Biografia do Autor

Renato Azambuja

Médico pneumologista; Mestre em ciências médicas pela UERJ; Professor de pneumologia na Faculdade Mar Atlântico

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

Azambuja, R. (2026). Obesidade e Asma - um capítulo à parte. Revista Pulmão, 34(1). https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.308

Edição

Seção

Artigos