DPOC e Asma – Definitivamente duas doenças distinta

Autores

  • Claudia Henrique Costa
  • Bruna Provenzano
  • Thiago Bartholo

DOI:

https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.307

Palavras-chave:

Asma, DPOC, inflamação T2, traço tratável

Resumo

A asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são doenças respiratórias crônicas caracterizadas pela obstrução ao fluxo expiratório de elevada prevalência mundial. Apesar de compartilharem manifestações clínicas, mecanismos fisiopatológicos e possam coexistir no mesmo paciente, são entidades distintas não somente em sua origem como também em relação à resposta ao tratamento. O presente artigo tem como objetivo a revisão dos mecanismos imunoinflamatórios, desde a barreira epitelial ao parênquima pulmonar, com o intuito de fundamentar essa distinção. Do ponto de vista fisiopatológico, a asma caracteriza-se predominantemente por uma resposta inflamatória tipo 2 (T2). O epitélio ativado libera alarminas (principalmente TSLP e IL-33), estimulando a produção de citocinas (IL-4, IL-5, IL-13) que levam à hiperresponsividade bronquica e remodelamento das vias aéreas. Já na DPOC, a via inflamatória prioritária é a Th1/Th17 com recrutamento neutrofílico, estresse oxidativo e desbalanço protease/antiprotease, resultando em destruição do parênquima e espessamento brônquico. Contudo, 20-40% dos pacientes com DPOC podem apresentar características de inflamação T2 concomitante. Clinicamente, essas diferenças das vias inflamatórias definem a terapêutica: a asma tem o corticoide inalatório como primeira linha mandatória, enquanto a base da DPOC são os broncodilatadores, reservando-se o corticoide para perfis exacerbadores e/ou com perfil T2. O reconhecimento dos fenótipos e endótipos, por meio de biomarcadores, permite abandonar a visão histórica de que apenas asma tem inflamação T2, reconhecendo a heterogeneidade de ambas enfermidades, caminhando em direção a uma medicina de precisão. A identificação correta dos mecanismos subjacentes e traços tratáveis é essencial para a aplicação de terapias-alvo como os imunobiológicos, garantindo melhora no prognóstico e controle dos sintomas tanto para asma quanto para DPOC.

Biografia do Autor

Claudia Henrique Costa

1 Professora Titular de Pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Coordenadora da Disciplina de Pneumologia da UERJ. Chefe do Departamento de Doenças do Tórax da Faculdade de Ciências Médicas. Coordenadora de Ensino da Pós-Graduação em Ciências Médicas da UERJ

Bruna Provenzano

2 Médica Pneumologista do Serviço de Pneumologia e Tisiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Thiago Bartholo

3 Professor Adjunto da Disciplina de Pneumologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Mestre e Doutor em Ciências Médicas pela FCM – UERJ; Coordenador da Pneumologia – Clínica Cliged

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

Costa, C. H., Provenzano, B., & Bartholo, T. (2026). DPOC e Asma – Definitivamente duas doenças distinta. Revista Pulmão, 34(1). https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.307

Edição

Seção

Artigos