Estratégias farmacológicas e não farmacológicas no manejo da asma grave: uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.302Palavras-chave:
asma grave, tratamento farmacológico, medicina de precisão, imunobiológicosResumo
A asma grave representa uma forma complexa e heterogênea da doença, responsável por um impacto clínico, social e econômico expressivo, especialmente em países de baixa e média renda. Apesar dos avanços terapêuticos, a morbimortalidade permanece elevada devido à baixa adesão ao tratamento, à presença de comorbidades e ao acesso limitado a cuidados especializados. Esta revisão narrativa sintetiza as principais estratégias farmacológicas e não farmacológicas empregadas no manejo da asma grave, com ênfase nas evidências atuais e nas perspectivas futuras. Foi realizada uma revisão abrangente da literatura, com base em diretrizes internacionais e brasileiras, além de estudos recentes que abordam mecanismos fisiopatológicos, tratamento e desfechos clínicos da asma grave. As intervenções não farmacológicas — como cessação do tabagismo, educação sobre asma, controle ambiental, reabilitação pulmonar e redução ponderal — desempenham papel fundamental para atingir a remissão e melhor controle da doença. O tratamento farmacológico deve ser individualizado, iniciando-se com corticosteroide inalatório (CI) em dose alta, associado a β₂-agonista de longa ação (LABA) e, quando necessário, adicionando antagonista muscarínico de longa ação (LAMA) ou a terapia tripla (CI/LABA/LAMA). Em pacientes com inflamação do tipo 2 persistente, o uso de imunobiológicos direcionados às vias de sinalização da IgE, IL-5, IL-5R, IL-4R ou TSLP revolucionou o controle da doença e reduziu a dependência de corticosteroides sistêmicos. O manejo ideal da asma grave requer uma abordagem integrada, multidisciplinar e personalizada. A combinação de estratégias farmacológicas e não farmacológicas, orientadas por biomarcadores e centradas no paciente, pode melhorar significativamente o controle da doença e a qualidade de vida, além de reduzir o ônus sobre os sistemas de saúde. Pesquisas futuras devem priorizar o desenvolvimento de biomarcadores preditivos, a ampliação do acesso equitativo a terapias biológicas e o uso de ferramentas digitais para monitoramento da asma.