Biomarcadores na asma

Autores

  • Bruno Rangel Antunes da Silva

DOI:

https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.297

Palavras-chave:

Asma Grave, Biomarcadores, Eosinófilos, FeNO

Resumo

O avanço no entendimento da fisiopatologia da asma permitiu a identificação de fenótipos e endotipos distintos, sendo estes últimos definidos principalmente por biomarcadores que refletem mecanismos inflamatórios específicos. A asma engloba processos inflamatórios heterogêneos que podem ser agrupados nas vias inflamatórias tipo 1 (T1) e tipo 2 (T2). A inflamação T1 caracteriza-se por resistência a corticosteroides, hiperreatividade brônquica e predomínio de citocinas como IFN-γ e TNF-α, embora ainda não haja biomarcadores validados para uso clínico rotineiro. Já a inflamação T2 envolve as citocinas IL‑4, IL‑5 e IL‑13, desencadeadas por alarminas epiteliais (IL‑33, IL‑25 e TSLP), sendo predominante na asma eosinofílica e alérgica, com boa resposta a corticosteroides e a terapias biológicas direcionadas. Entre os biomarcadores T2, destacam-se a contagem sérica de eosinófilos, a fração exalada de óxido nítrico (FeNO), a IgE total e as IgEs específicas para aeroalérgenos. Os eosinófilos são essenciais para avaliação da atividade inflamatória, risco de exacerbações e decisão terapêutica, especialmente na indicação de imunobiológicos anti‑IL‑5 e anti‑IL‑5R. Valores ≥150 células/µL sugerem inflamação T2, enquanto níveis ≥300 células/µL são utilizados para definição de elegibilidade para terapias biológicas. A FeNO reflete a ativação da via IL‑4/IL‑13, sendo útil no diagnóstico, monitoramento de inflamação das vias aéreas e avaliação de adesão ao tratamento. Valores ≥20 ppb já indicam inflamação T2 segundo o GINA 2025. A IgE é central na resposta alérgica, favorecendo a ativação de mastócitos e basófilos; sua dosagem auxilia na identificação de atopia e na indicação de terapia anti‑IgE (omalizumabe). As IgEs específicas para aeroalérgenos complementam o diagnóstico de asma alérgica e associam-se a inflamação sistêmica e local, incluindo maior FeNO e eosinofilia. A integração desses biomarcadores permite estratificação precisa do endotipo inflamatório, otimização da escolha terapêutica e adoção de medicina personalizada. Assim, os biomarcadores são ferramentas indispensáveis no manejo atualizado da asma, possibilitando uma abordagem individualizada baseada na via inflamatória predominante. Compreender o papel de cada biomarcador na cascata inflamatória da doença, bem como o papel de preditores de atividade de doença e resposta ao tratamento, é fundamental para o uso adequado de imunobiológicos e para a melhoria dos desfechos clínicos.

Biografia do Autor

Bruno Rangel Antunes da Silva

Médico e Professor Adjunto da Disciplina de Pneumologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

Silva, B. R. A. da. (2026). Biomarcadores na asma. Revista Pulmão, 34(1). https://doi.org/10.63483/rp.v34i1.297

Edição

Seção

Artigos